Herdade da Cardeira: Um projeto arquitetónico português da Embaixada

Proyecto Embaixada

Um projeto da EMBAIXADA 

Este projeto consiste na ampliação da adega existente da Herdade da Cardeira, localizada em Borba, no interior centro de Portugal.

No local existiam dois edifícios preexistentes que coexistiam no topo de uma colina natural, cuja morfologia foi sendo alterada ao longo do tempo pelos movimentos de terras resultantes de construções anteriores. O desafio consistia em projetar uma habitação e uma área de escritórios de apoio à atividade da adega.

O objetivo foi organizar o programa solicitado e os diferentes fluxos de utilização, integrando as novas construções com os edifícios existentes e com a paisagem, contribuindo para uma imagem unificada da propriedade.

A estratégia passou por suavizar e modelar a topografia, distribuindo o programa por novas construções implantadas em diferentes cotas ao longo da encosta, reforçando assim os diferentes níveis de privacidade exigidos por cada utilização.

As construções foram executadas em taipa, utilizando terra proveniente do próprio local. No interior, os espaços foram revestidos com reboco de cal natural, enquanto no exterior a tonalidade foi ajustada ao tom alaranjado da terra, permitindo que os edifícios se integrem de forma discreta na paisagem. Esta solução construtiva, aliada à ventilação cruzada proporcionada pelas aberturas e às pérgulas cobertas por vegetação trepadora para sombreamento, contribuiu para melhorar significativamente o desempenho térmico do conjunto durante a estação mais exigente do ano: o verão.

Mais do que um cenário integrado na paisagem através dos jardins que envolvem as construções, o conjunto funciona como uma antiga aldeia, onde a agricultura, o comércio e os espaços de convivência definem a propriedade como uma única entidade.

 

EMB Herdade da Cardeira ©Simone Bossi 13

A arquitetura leva tempo

Desde o início do projeto até à conclusão da obra passaram oito anos. Foram dois anos de intenso diálogo e troca de ideias até se chegar à solução final, seguidos de seis anos de acompanhamento das diferentes fases da construção. Ao longo deste processo, a relação entre o nosso atelier e os clientes tornou-se cada vez mais próxima, evoluindo de uma relação estritamente profissional para uma forte amizade que se mantém até hoje.

O desenvolvimento do projeto e da construção seguiu esta mesma filosofia. A continuidade entre interior e exterior — onde os espaços exteriores foram concebidos como extensões dos espaços interiores — e a ligação entre a habitação e a adega refletem diretamente a visão dos clientes para o funcionamento da Cardeira como um todo. Por um lado, os edifícios foram implantados na paisagem de forma a integrarem-se naturalmente no terreno, tirando partido da melhor orientação solar e dos ventos dominantes. Por outro, foram desenhados e organizados sem uma hierarquia formal marcada nem limites rígidos entre as diferentes áreas programáticas, permitindo que cada utilizador se aproprie do espaço de forma espontânea e contribuindo, de forma subtil, para esbater as relações hierárquicas no contexto de trabalho.

Embora possa ser entendido como um espaço coletivo e público, a Cardeira reúne diariamente pessoas provenientes de diferentes lugares e com funções distintas. O conjunto foi concebido para responder a diferentes níveis de privacidade, desde o ambiente mais reservado da habitação até à sala de provas, onde os clientes são recebidos.

EMB Retrato ©Merces Tomaz Gomes

Biografia

A Embaixada foi fundada em 2002 por sete arquitetos e é atualmente dirigida por três dos seus sócios fundadores. Desde a sua criação, o atelier tem como objetivo desenvolver projetos capazes de responder, de forma inovadora, às exigências da vida contemporânea. Recusando limitar-se a uma única área de especialização, procura constantemente novos desafios e diferentes formas de atuação.

O trabalho desenvolvido abrange áreas como o Urbanismo, a Arquitetura, os Novos Media, as Artes e o Design, refletindo uma abordagem multidisciplinar. Os projetos apresentados no seu portefólio ilustram esta diversidade e a amplitude da prática do atelier.

Em 2012, os três diretores da Embaixada fundaram a Unleash, uma plataforma criada para aprofundar a relação entre investigação e projeto, reconhecendo a natureza complementar destas duas vertentes. A Unleash funciona como um grupo de trabalho de caráter académico, dedicado ao estudo científico dos processos e resultados na fronteira da arquitetura, produzindo conhecimento e recolhendo dados que alimentam futuros projetos.

A investigação desenvolvida procura enriquecer continuamente o processo de projeto através de novas questões e abordagens, analisando simultaneamente as obras concluídas e o seu impacto na utilização, no contexto e na vida quotidiana.

A Embaixada e a Unleash são duas faces da mesma moeda. Inevitavelmente influenciadas por outras entidades de produção cultural, recusam limitar-se a modelos pré-estabelecidos e mantêm a ambição de desenvolver processos que rejeitam soluções generalistas. Cada projeto é encarado como um protótipo, respondendo à identidade própria de cada proposta e às condições programáticas específicas de cada cliente.

Com a colaboração regular de especialistas das mais diversas áreas, o atelier reforça continuamente a sua experiência e conhecimento, assumindo uma estrutura híbrida, diversificada e dinâmica. Esta forma de trabalho valoriza o contributo individual de cada participante e afasta-se dos modelos tradicionais de decisão por maioria, promovendo um debate permanente que potencia a criatividade e garante uma elevada capacidade de adaptação aos mais variados tipos de projetos.

Recentemente, a EMBAIXADA foi convidada para assumir a curadoria da edição de 2023 do Open House.

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2025-12-01
2026-03-31
2025-11-03
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