A dimensão arquitetónica do setor começou a ser desenvolvida por Shelley Barradas, da CAERUS ARCHITECTS, part of CTS GROUP que apresentou a evolução internacional da empresa através de diferentes projetos ligados ao desenvolvimento de campus tecnológicos e infraestruturas digitais, entre eles o N01 Campus, o FIN04 Mega Site Campus e o conceito Eco District. Durante a apresentação, destacou temas como sustentabilidade, integração territorial, BIM, inteligência artificial e a necessidade de criar infraestruturas flexíveis e preparadas para responder ao crescimento exponencial do setor.
Seguidamente, focado na área da sustentabilidade e regulamentação europeia, Guillem Richard da PGI ENGINEERING, abordou os critérios da Taxonomia Europeia aplicados aos data centers, destacando temas como eficiência energética, financiamento verde, reutilização de recursos e o crescente peso das métricas ambientais na operação e valorização destes ativos.
Por parte da AFACONSULT, Marisa Ferreira partilhou a experiência da empresa em projetos ligados a infraestruturas tecnológicas de grande escala, destacando o Start Campus em Sines. Também abordou a articulação entre engenharia e arquitetura, a flexibilidade dos sistemas e os desafios associados ao desenvolvimento deste tipo de infraestructuras.
Desde uma perspectiva internacional, Pedro Moura, da STUDIO NWA, apresentou alguns dos projetos hyperscale desenvolvidos pelo estúdio em cidades como Barcelona, Amsterdam e Londres. O arquiteto destacou ainda a importância do planeamento, coordenação BIM e acompanhamento técnico em todas as fases de execução destas infraestruturas, bem como o papel do master planning, da gestão de informação e dos estudos de viabilidade no desenvolvimento funcional de data centers de maior escala.
A integração dos data centers na cidade e no território foi outro dos temas abordados durante a sessão. Durante a sua intervenção, António Monteiro Guedes, da GRU. GABINETE DE RECURSOS URBANOS, refletiu sobre a forma como estas infraestruturas podem integrar-se na cidade, pertencer à cultura e estabelecer uma maior relação com o contexto envolvente. O arquiteto abordou ainda a tensão entre a “caixa preta” associada aos data centers e a ideia de criar infraestruturas mais abertas e próximas das pessoas, explorando espaços multifuncionais, zonas de exposição e novas formas de relação entre tecnologia e espaço urbano.
Já o engenheiro Fernando Jorge Almeida, da LAYOUT ENGENHARIA E SERVIÇOS, centrou a sua intervenção a eficiência energética e na gestão do PUE (Power Usage Effectiveness), abordando os desafios técnicos associados ao consumo energético, refrigeração, operação e disponibilidade futura de energia em Portugal.
A última apresentação da tarde ficou a cargo de Luis Ricardo, da LLLAB, que apresentou o projeto SPARK 761 como uma tentativa de tornar visível uma nova forma de infraestrutura digital e de redefinir a relação entre humanos e inteligência artificial como coexistência. Durante a intervenção, o arquiteto refletiu ainda sobre a forma como a arquitetura pode criar uma ponte entre tecnologia, experiência humana e espaço físico, aproximando infraestruturas digitais da vivência quotidiana das pessoas.
O encontro terminou com um debate entre os vários participantes, onde foram discutidas questões relacionadas com sustentabilidade, consumo energético, regulamentação europeia, escalabilidade e o papel dos data centers enquanto infraestruturas fundamentais para a economia digital.
Com esta primeira edição do “Construção de Data Centers”, o Grupo Vía reforça a aposta na criação de espaços de debate dedicados aos novos desafios da arquitetura, engenharia e infraestruturas tecnológicas em Portugal.