Miguel de León, diretor da Ortiz León Arquitectos, iniciou sua intervenção com um recorrido histórico sobre a evolução da sustentabilidade na arquitetura. Destacou a importância de analisar os projetos desde as fases iniciais para implementar estratégias eficazes que reduzam a pegada de carbono. Durante a sua intervenção, apresentou exemplos emblemáticos de edifícios de baixo carbono, começando pela Torre Mapfre, em Barcelona, reconhecida pela sua arquitetura modular em aros e o uso de uma fachada eficiente com proteção passiva, concebida para minimizar as emissões. Mencionou ainda o Edifício Sanitas, que combina uma arquitetura passiva tradicional com pátios e sistemas ativos, além de uma criteriosa seleção de materiais que otimizam a sua sustentabilidade. Entre os projetos recentes, destacou a sede da EA Sports, construída com uma estrutura modular de madeira, e o Edifício Koi, que se adapta às necessidades cambiantes do mercado graças ao seu design flexível e eficiente. Miguel sublinhou que a sustentabilidade deve ir além da mitigação do impacto ambiental, gerando um impacto positivo nos perfis dos utilizadores e aproveitando elementos naturais para melhorar os espaços arquitetónicos.
Seguindo a temática da sustentabilidade, Miguel Suárez, da Pich Architects, destacou a abordagem integrada da sustentabilidade social, ambiental e económica nos projetos desenvolvidos pelo atelier. Durante a sua apresentação, trouxe como exemplo um edifício de escritórios e habitação situado no distrito @22 em Barcelona, concebido segundo os princípios da economia circular. O edifício foi construído com técnicas de assemblagem a seco, que garantem máxima visibilidade, flexibilidade e adaptabilidade dos espaços. Miguel realçou que o design inclui áreas públicas abertas, integradas no edifício, permitindo que as pessoas acedam ao interior sem barreiras físicas, o que promove a interação entre o espaço urbano e o edifício. A fachada deste projeto incorpora técnicas sustentáveis, como lâminas para a recolha de água, aumentando a eficiência do uso de recursos naturais. Além disso, Miguel apresentou um estudo realizado em outro edifício, construído com sistemas pré-fabricados e materiais reciclados. Este estudo, conduzido em parceria com economistas, revelou que a introdução de materiais reciclados e sustentáveis pode aumentar o valor do edifício em cerca de 50 mil euros, demonstrando a viabilidade económica de integrar práticas sustentáveis no setor da construção.
Zoltan Valbuena, da MADC Architects, destacou como a arquitetura pode transformar espaços públicos e sociais, integrando sustentabilidade e design inovador nos seus projetos. Durante a sua intervenção, apresentou exemplos como o projeto de reabilitação na Castellana, Madrid, desenvolvido para cumprir altos padrões de sustentabilidade, transformando um edifício histórico em um ativo de elevado valor para a comunidade, com foco na integração ambiental e social. Mencionou também a Biblioteca em Villaverde, onde foi necessário superar desafios como a localização desfavorável, elevando o edifício para otimizar a captação de luz solar e evitar sombras projetadas por construções vizinhas. Este projeto destacou-se pela utilização de construção industrializada em fachadas, muros e estrutura, priorizando a funcionalidade e a sustentabilidade. Por fim, Valbuena apresentou o projeto de reabilitação em Parla, Madrid, onde um edifício semiabandonado foi transformado num ícone local, graças à implementação de uma envolvente arquitetónica com lunas controladas conforme a exposição solar, alcançando uma redução de 90% no consumo energético. Valbuena reforçou que a arquitetura pode ser uma ferramenta de transformação ambiental e social, promovendo simultaneamente sustentabilidade e melhoria da qualidade de vida urbana.
Laura Motilla, sócia da Bauwood, destacou o impacto positivo dos projetos realizados que já beneficiaram 70 edifícios e cerca de 1800 famílias, alcançando uma significativa redução de emissões de CO2 em Madrid. Laura explicou que, antes de qualquer intervenção, a empresa realiza um estudo detalhado do estado do edifício, permitindo propor melhorias específicas ao menor custo possível para os residentes. A Bauwood também oferece suporte para acesso a ajudas económicas, facilitando a viabilidade das obras. Laura apresentou um exemplo onde os moradores foram diretamente envolvidos no processo de melhoria do edifício, mostrando como intervenções sustentáveis e sistemas de alta eficiência, como fachadas SATE e filtros na cobertura, reduziram a demanda energética da envolvente. Além disso, ela sublinhou que o apoio institucional e financeiro é um fator essencial para viabilizar as intervenções e garantir que os resultados atendam tanto à sustentabilidade quanto à saúde e conforto dos moradores.
Iván Pérez da Territori24, destacou vários projetos emblemáticos focados na sustentabilidade e na integração comunitária. Entre eles, o Centro Cívico Baró de Viver, em Barcelona, é um exemplo de arquitetura com certificação LEED, concebido para fomentar a inclusão social. Este espaço integra um jardim que conecta tanto o interior como o exterior através de uma cerca vegetal, criando ambientes confortáveis e com uma demanda energética praticamente nula. Além disso, Iván apresentou a Comissaria de Polícia Local perto de Barcelona, desenvolvida com estruturas leves e fachadas de madeira, promovendo uma arquitetura sustentável. Outro destaque foi um projeto em França: uma piscina pública integrada num complexo termal, que aproveita fontes termais próximas para otimizar a eficiência energética. A construção com madeira permitiu uma melhor integração com o entorno natural. Por fim, mencionou uma pista desportiva semicoberta em Barcelona, que inclui um inovador sistema de rega reciclável. Iván sublinhou que estas soluções não só reduzem o impacto ambiental, como também revitalizam os espaços urbanos, melhorando a qualidade de vida das comunidades locais.
Encerrando o evento, Miguel Díaz Martín, da Ruiz Larrea Arquitectura, apresentou o projeto de reabilitação da Torre Cibeles, localizada dentro do complexo do Banco de Espanha, em Madrid. Ele explicou que a torre, com oito pisos acima do solo e outros oito subterrâneos, desempenha um papel crucial como núcleo de conexões verticais e horizontais dentro do Banco, sendo uma estrutura protegida por sua relevância histórica e arquitetónica.Miguel destacou que a reabilitação foi planejada em três etapas principais. A primeira envolveu demolições cuidadosas, que incluíram a remoção de um antigo heliponto e a criação de uma nova estrutura central para reorganizar instalações e fluxos internos. A segunda etapa focou na criação de uma nova envolvente, composta por três camadas de fachada adaptadas às diferentes orientações solares (este, sul e oeste), maximizando a eficiência térmica e o conforto interno. Por fim, o projeto transformou os espaços internos de escritórios compartimentados para um conceito de open space, otimizando a funcionalidade e a modernidade do edifício. Este projeto exemplifica o compromisso da Ruiz Larrea com a sustentabilidade e a integração arquitetónica, ao mesmo tempo que respeita o legado histórico do Banco de Espanha, adaptando-o às necessidades contemporâneas de conforto e eficiência energética.
O Eco-Fórum de Arquitetura Espanhola destacou não apenas os desafios enfrentados pelo setor, mas também as soluções inovadoras e práticas que mostram como a arquitetura pode liderar a transformação urbana sustentável. Os projetos apresentados foram exemplos concretos de como inovação e compromisso ambiental caminham lado a lado.