A abertura ficou a cargo do arquiteto Ricardo Camacho, que atuou como moderador e contextualizou o encontro, destacando a importância da arquitetura na resposta a questões essenciais da sociedade contemporânea, como a crise da habitação, o crescimento urbano sustentável e a adaptação dos edifícios às novas formas de viver e trabalhar.
O primeiro painel iniciou-se com a intervenção do arquiteto Vasco Diogo, do VENTURA TRINDADE ARQUITECTOS, que apresentou dois projetos distintos: um de reabilitação de um apartamento histórico no Príncipe Real e outro de habitação coletiva integrado na Operação Urbana de Entrecampos. Diogo abordou a necessidade de equilibrar a preservação patrimonial com a adaptação dos espaços às exigências contemporâneas, sublinhando a importância da flexibilidade no desenho arquitetônico.
Seguiu-se a apresentação de Mário Sua Kay, da SUA KAY ARCHITECTS, que explorou a transformação dos espaços urbanos e a relação entre arquitetura e cidade. Destacou projetos de reabilitação urbana e edifícios corporativos de grande escala, demonstrando como a arquitetura pode criar novos marcos urbanos que dialogam com a identidade local e as necessidades funcionais.
A arquiteta Inês Cabrita, da TÉTRIS DB, trouxe um olhar sobre os espaços de trabalho e sua evolução nos últimos anos. Apresentou exemplos concretos, como a renovação da sede da Zurich em Lisboa, onde um edifício convencional foi convertido em um ambiente aberto e colaborativo. Também destacou o projeto do edifício Ramalho Ortigão 51, onde o design biofílico e a sustentabilidade foram incorporados para transformar a experiência dos usuários.
O arquiteto João Carmo Simões, do JOÃO CARMO SIMÕES ARQUITECTURA, enfatizou a necessidade de uma abordagem crítica à reabilitação patrimonial, destacando casos em que a preservação da identidade dos edifícios coexistiu com soluções arquitetônicas inovadoras. Sua intervenção reforçou a importância do conhecimento histórico e do contexto urbano na adaptação de estruturas antigas para novas funções.
Já João Vieira, do STUDIO JV, apresentou projetos que exploram a relação entre espaço, luz e materialidade. Sua abordagem demonstrou como o minimalismo e a escolha criteriosa de materiais podem contribuir para uma arquitetura mais sustentável e sensorialmente rica.
Patrícia Varão Moreira, da MASS LAB, trouxe uma perspetiva focada na escala urbana e na interação entre espaços públicos e privados. Abordou a importância de desenvolver cidades mais conectadas, onde a arquitetura desempenha um papel ativo na promoção da vida urbana e no bem-estar das comunidades.
O evento encerrou com a intervenção de André Caiado, CEO e fundador da CONTACTO ATLÂNTICO, que abordou a inovação na arquitetura e os desafios da prática contemporânea. Caiado discutiu a necessidade de novas metodologias construtivas e a crescente demanda por edifícios mais flexíveis, que se adaptem às mudanças na sociedade e no mercado imobiliário.
Após as apresentações, um debate moderado por Ricardo Camacho permitiu a interação entre os palestrantes e o público, fomentando uma reflexão sobre o papel dos arquitetos na construção de um futuro mais sustentável e equilibrado. O evento foi concluído com um cocktail de encerramento, proporcionando um momento de networking entre os participantes.
O Ateliês de Arquitetura de Referência – Lisboa 2025 reafirmou-se como um espaço fundamental para o diálogo e a partilha de conhecimento entre os profissionais do setor, promovendo a excelência na prática arquitetônica e incentivando novas abordagens para os desafios da urbanização contemporânea.