O atelier Fragmentos conclui uma operação urbanística de 50.000 m² que substitui um antigo hipermercado e o seu estacionamento à superfície por quatro lotes e um grande jardim público.
O atelier português Fragmentos concluiu o Bayview, a operação urbanística e arquitetónica que transforma a entrada nascente de Cascais, um dos locais mais reconhecíveis da Grande Lisboa. Foi aqui que abriu, em 1973, o primeiro hipermercado de Portugal, o Pão de Açúcar. Até 2015, o hipermercado e a sua vasta área de estacionamento ocupavam os cerca de 50.000 m² onde hoje nasce uma nova centralidade para o município, organizada em torno de um grande parque público.
Com a entrega do Lote 1, o último dos quatro que compõem o conjunto, fecha-se um processo de onze anos: três de estudos e licenciamento e oito de construção faseada. «Foi em março de 2015, num telefonema do Luiz Godinho Lopes, na A5, a vir de Cascais para Lisboa, que começou o grande projeto do Bayview», recorda Duarte Pinto-Coelho, arquiteto e sócio fundador do Fragmentos.
Primeira Unidade de Execução do município
O Bayview foi a primeira Unidade de Execução aprovada em Cascais. Avançou em coordenação com a câmara municipal e várias concessionárias, o que permitiu que as obras de urbanização e de edificação decorressem em simultâneo. O hipermercado, hoje Auchan, nunca interrompeu o seu funcionamento. A coexistência de áreas já em utilização com frentes de obra exigiu especial atenção aos acessos, à segurança e às sucessivas entregas parciais.
O automóvel, debaixo de terra
O desenho do conjunto reúne cerca de 1.200 lugares de estacionamento em pisos enterrados e liberta a superfície para um jardim público que não existia. A arquitetura paisagista liga os vários lotes e dá unidade ao todo, com coberturas ajardinadas, jardins verticais, pátios, terraços privados e o próprio parque. A entrada de Cascais, até então dominada pelo automóvel, passa a ser um espaço pensado para a estada e a circulação pedonal.
Quatro lotes, um mesmo jardim
- Lote 4. Exclusivamente comercial, aloja a loja Auchan, com certificação LEED Silver. O edifício está dissimulado no terreno e o food court ocupa a sua cobertura ajardinada.
- Lotes 2 e 3 (2023). Somam 52 apartamentos entre socalcos orientados a sul e blocos ligados por passadiços, com piscinas privativas nos pisos térreo e de cobertura.
- Lote 1 (2026). Acrescenta os últimos 61 apartamentos, distribuídos por quatro blocos de cinco e seis pisos. Cada bloco tem uma orientação distinta para maximizar a vista mar. As fachadas são em painéis de GRC e a zona de amenities comum, enterrada, inclui piscina, ginásio, banho turco, sauna e salas de massagem.
Um projeto que marca o atelier
São onze anos, mais de um terço dos 32 anos de história do Fragmentos. Praticamente toda a equipa passou por este projeto, um dos de maior escala do atelier. A sua conclusão chega num momento de reconhecimento:
- O Palácio de Tavira recebeu o Prémio Nacional do Imobiliário 2026, na categoria de Reabilitação.
- O Palácio de Tavira e o recém-concluído Sublime Comporta Sand estão entre os finalistas dos Architecture Hunter Awards 2026.
- O Fragmentos integra este ano o ranking Best Architecture Firms in Portugal, da Architizer.
A presença do atelier na entrada de Cascais continua. Em frente ao Bayview, no local onde esteve o Cascais Villa, ergue-se agora o Atóll, projeto em que o Fragmentos colabora como arquiteto local.
Até ao início de dezembro, o Bayview está em destaque na montra do atelier, em Lisboa.
Ficha técnica
- Localização: Cascais, Portugal
- Cliente: Grand Bay Residences – SICAFI, S.A.
- Área: 50.000 m²
- Fase: construído
- Ano: 2015–2026
- Arquitetura e planeamento urbano: Fragmentos, em parceria com Next Architects
- Especialidades: Quadrante
- Fiscalização e gestão de projeto: Engexpor
- Arquitetura paisagista: Francisco Caldeira Cabral, Elsa Severino
- Construção: Teixeira Duarte
- Fotografia: Francisco Nogueira
Sobre o Fragmentos
O Fragmentos nasce em 1994 da vontade de quatro amigos pensarem e desenharem em conjunto. É um atelier de estrutura colaborativa, com uma equipa multidisciplinar, que desenvolve projetos em diferentes escalas: habitação, equipamentos públicos, espaços urbanos e paisagem. A sua prática estende-se ainda à comunicação visual, à produção editorial e à produção de conhecimento.